domingo, 6 de março de 2011

Angústia, codinome Amor.













Sinto saudade do seu corpo... admirava escondido
Provocaria inveja na grande deusa da beleza e do amor.
O maior afrodisíaco que conheci foi a sua pele
Ó Afrodite, quem és tu depois dela?

Como em uma travessura infantil, nós nos arriscamos
Pulamos em um precipício hedonista criado pelo momento
Tudo para sentir aquela verdade que corria em nossas veias.

Nossos casos, por acaso, segredos de tantos atos.
Guardei seu perfume, seu instinto, seu... beijo
Toda a sua conversa errada.
Era profundo, não apenas prazer.

Depois das núpcias nos tornávamos menos indiferentes
Eu sempre ganhava um sorriso antes e, outro depois.
Seu olhar satisfeito, paralelo à minha saciação.

Você se foi rápido demais, como em todas as outras vezes
Mas agora é para sempre.
Me deixando um último sorriso como despedida
Lembrança perdida no meu passado.

Se eu fosse Júpiter também te faria Aquarius.
Estou cansado dessa angústia que envolve o meu desejo de você
Está rendido e desarmado, esse seu herói byroniano que sou.



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Herói byroniano: http://pt.wikipedia.org/wiki/Her%C3%B3i_byroniano

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Um dia de comemoração em Blessed Hill


Era uma tarde bem diferente daquelas típicas em época de colheita do algodão. Todos os negros daquele humilde vilarejo estavam reunidos e felizes festejando ao som de palmas, gritos e um velho banjo. O dia em comemoração era aquele em que seus filhos finalmente puderam colocar os pés onde os outros garotos, brancos, sempre puderam por algum motivo.

Apertadas naquele salão dezenas de vozes em coro cantavam os versos “This little light of mine, I'm gonna let it shine”. Por trás de toda aquela melodia estava o sonho de liberdade e igualdade. Aquele da retórica afiada do Dr. Luther King. A Felicidade estava traduzida nos sorrisos de todos, e a esperança naqueles olhos tão acostumados a derramarem lágrimas e a serem espremidos na reação involuntária da pálpebra em uma tentativa de proteção contra o sol voraz do Alabama.  

A velha senhora, de aparência sofrida e sentada lá no fundo possuía uma linda camélia em suas mãos, as mesmas que em tempos antigos já estiveram fortemente amarradas por dois dias e duas noites a um grande pinheiro em uma fazenda trinta milhas distante. Castigo por ser negra e ter adoecido seriamente enquanto havia trabalho na lavoura. A admiração das crianças na energia e talento do jovem músico no palco é quebrada quando de repente alguém comenta sobre as saborosas amoras-silvestres. Logo, todos aqueles pequenos estavam devorando a plantação atrás do Hope Saloon. 

Uma Boa terra, alguns animais corpulentos e outros nem tanto, também existia um riacho demasiadamente sereno. Os mais velhos batizaram aquele lugar de “Blessed Hill” – Colina Abençoada.

sábado, 13 de novembro de 2010

Garota Cervantes



Certa noite de meia lua, ela me fez refletir o quanto mudei sua vida, seus pensamentos, seus hábitos, seu cabelo, mesmo sendo estes tão pessoais.
Porém, seus elogios e reflexões amistosas nunca vinham sozinhos. Eram como belos cavalos brancos, ávidos de glória, e que blindados com sua armadura imponente disparam na frente das tropas carregando sobre eles os mais bravos guerreiros de espadas afiadas com o objetivo de causar o maior estrago possível na defesa do campo adversário, facilitando o restante do ataque.
Foi então que ao final de seus dizeres, com meu escudo já  ao chão, ela conseguiu me surpreender com a última parte do seu monólogo – suas reflexões finais são sempre as responsáveis pelos maiores dramas que já assolaram o meu pobre e suíço cotidiano –  desta vez ela se comparou á uma jubarte que sempre reinou sozinha em seu oceano, alimentando-se de milhares de peixes pequenos, mas que por algum motivo se sentiu atraída pela praia (eu), então vai em sua direção, e aos poucos percebe que está cada vez mais no raso, continua, mesmo sabendo que encalhará e não sobreviverá na areia (meus braços).
Completamente desconcertado beijo-lhe a face como quem se desculpa. Calado, sofri o resto daquela noite pela culpa que sua comparação, tão profunda e quixotesca, pretensiosamente me atribuiu.



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 Miguel de Cervantes foi romancista, dramaturgo e poeta espanhol. Sua obra prima, Dom Quixote.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Saudosos Guerreiros


Saudosos guerreiros que tanto me orgulham
De lutas e conquistas históricas
Artífices combatentes, revolucionários!
Fazem-me ter fé em ideologias
Mantêm a chama do meu espírito aguerrido
Sim, mortais, pecadores, mas gloriosos!

Uma vida trivial, que lástima
Mísero aquele que julga as vossas causas
Pobres ineptos de vidas inglórias!
Nunca entrarão para as folhas da eternidade
Nem para os corações de seus partidários
Nunca terão seguidores ou admiração
Que miséria não desejar tais feitos.

Hasta La Victoria, siempre
!
Proclamaram os corajosos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010


         "Santo Antônio, certa vez, escreveu sobre quando foi para o deserto fazer um retiro de silêncio e foi acometido por todo tipo de visão - tanto demônios quanto anjos. Disse que, em sua solidão, algumas vezes encontrou demônios que pareciam anjos, e outras vezes encontrou anjos que pareciam demônios. Quando lhe perguntaram como ele sabia a diferença, o santo respondeu que só se pode dizer quem é quem com base na sensação que se tem depois que a criatura foi embora. Se você ficar arrasado, disse ele, então foi um demônio que veio visitá-lo. Se você se sentir mais leve, foi um anjo".

Elizabeth Gilbert 

O sal


Para que adoçar a vida? A felicidade não é doce, nunca foi, nem mesmo o amor possui um mínimo de sabor. Mas o caminho sim tem gosto, mesmo que de desgosto, a tristeza no rosto é a expressão do mal, a lágrima e seu precioso sal. A importância aos momentos tristes tem que ser dada, então, logo a solução para os problemas será revelada e a repetição deles estará condenada. O sal te abrirá os olhos e fará perceber que a felicidade vem depois, faça-a acontecer. Tomamos como exemplo os povos antigos que na tristeza da falta de ouro, fizeram-se felizes tendo o sal como tesouro. Extraia-o de todos os momentos difíceis,  não apenas torça, mas acrescente o suor da sua força, misture, coloque pra secar e tijolos terá, construa sua fortaleza, seja para defesa ou para atacar.

(05/10/2010)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A resposta pode estar em seu sonho


Durante quase todas as noites enquanto você dorme, seu cérebro, ou sua mente – como preferir – elabora estórias com enredos supostamente desconexos e, de significado desconhecido. O homem que tivesse o poder de interpretar-los – entenda esse “interpretar” como algo totalmente diferente daquele escrito em revistas de R$1,99 ou daquele proveniente das operadoras de bola de cristal – seria a pessoa de maior sucesso e felicidade do mundo. 
Qual o objetivo do sonho? Como se deve interpretar um sonho? Por que tenho um sonho que me acompanha há tantos anos? Se estiver pensando que responderei a essas questões de maneira científica ou fiel a algum estudo, está enganado. Quero apenas que você entenda que os sonhos – mesmo parecendo imagens jogadas ao léu pela sua inconsciência – são as soluções das questões de sua vida. Eles refletem o que te preocupou no trabalho ou na faculdade, o que te causou um trauma no mês passado, a realização ou revelação de um desejo, ou simplesmente a lembrança de algum momento vivido com intensidade.
A resposta do porquê de não sabermos interpretar exatamente ou, lembrar, algo que saiu da nossa própria cabeça, é intrigante e desconhecida. Desconcertante também é refletir a razão deles acontecerem enquanto dormimos, afinal, é para todo o nosso corpo estar descansando. É em meio a todas essas questões que sou obrigado a perceber que muito fácil seria se tivéssemos de forma clara as respostas em nossos sonhos. Os seres humanos não viveriam, apenas se preocupariam em colocar em prática as soluções descobertas nos braços de Morfeu, não teríamos mais medo e por consequência não mais valorizaríamos a confiança, nem mesmo o amor, elementos fundamentais e característicos das nossas relações sociais.
Contudo, há quem consiga – em raros momentos de excepcionalidade, por intervenção divina, ou bondade do deus grego do sono – interpretar algumas de suas “obras”. Quantos relatos existem na bíblia ou na torá, de pessoas que através dos seus sonhos tiveram visões que mudaram a história. Jacó, Daniel, São José, São Patrício, bastou terem a capacidade de após acordar transformar o que era visão em conclusão, e assim chegar a uma solução. Para citar exemplos mais recentes, René Descartes, que em viagem à Alemanha teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico, já Friedrich August Kekulé von Stradonitz propôs a fórmula hexagonal do benzeno após sonhar com uma cobra que mordia sua própria cauda.
A interpretação da maioria das pessoas pode ainda não ser a tão aclamada solução, porém, servirá para forçá-los a pensarem melhor em alguma coisa errada que cometeram; para desenvolverem um poder premonitório e assim criarem uma defesa; ou, para fazer com que valorizem ainda mais alguma chance ou pessoa perdida durante algumas horas de sono.
Aprenda que o sonho, independente de ser bom ou ruim, bonito ou feio, inexplicável ou simples, não é apenas um tráfego de informações. Ele é a mais pura manifestação do seu subconsciente, ou até mesmo do próprio consciente, porque não? É uma experiência de imaginação que tem por fim a razão, somente a razão, e ocorre em um momento onde nada pode interferir, só Deus. Trabalhe seus sonhos, eles irão te ajudar a resolver os problemas da vida real e a definir sua personalidade.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O jogo do otimismo


         Por vezes já deixei o pessimismo ser abundante dentro de mim, era meu escudo. Minha tese sempre foi a de que se sempre esperarmos o pior, no final o que vier será lucro. Mas a pouco descobri um jogo novo, aquele que nos textos e nas palavras é tão bonito e, que possui apenas uma regra: sempre procurar ver o lado bom das coisas, não importando a situação. Como alguns de vocês já devem ter percebido alguma vez, o manual deste jogo vem acompanhado de dramáticas parábolas onde o personagem principal sofre um mal absurdo e, mesmo assim em meio a isso, não se esquece de encontrar algo positivo. Meu pessimismo está melhorando em passos largos, no entanto, temos que tomar cuidado para não chegar ao ponto de encontrar beleza nos elos da corrente que nos enforca.

domingo, 29 de agosto de 2010

Breve comentário sobre os princípios da natureza humana


          Na manhã de uma segunda-feira, na Faculdade, durante o intervalo de aula, a maioria dos alunos estava fora da sala. Este jovem que vos escreve interessadamente terminava uma leitura sobre sociabilidade, contrato social, e as diferentes teorias que tentam explicar a razão pela qual o homem se relaciona com outros indivíduos, enfim. No outro lado da sala, oito ou sete pessoas em torno de um jogo de cartas, e de repente todas ao mesmo tempo sorriram por algum motivo. Interagiam entre si através de alguns breves e oportunos comentários, e pequenos cartões com símbolos. 

          Aquela reação em conjunto me soou tão natural, foi então que meu raciocínio se esclareceu e tomou como verdade os estudos de Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, onde consideravam que o homem é naturalmente sociável, a própria natureza humana induz o indivíduo a associar-se com outros e a se organizarem. Ao contrário do que pensava Platão. Mas ao mesmo tempo também me veio o questionamento: O homem por sua natureza é um ser mau, como defende Thomas Hobbes, ou, um ser bom, como afirma Jean-Jacques Rousseau? Ainda não sei, nem tenho uma opinião precoce para apresentar, porém, entre as diversas divergências existentes na comparação entre as teorias desses dois filósofos, concordo com Rousseau quando este diz que o homem tem como natureza ser livre, e não anti-social como explica Hobbes.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Fantasmas da Consciência





 O Fantasma
"Sou o sonho de tua esperança,
  Tua febre que nunca descansa,
  O delírio que te há de matar!..."
(AZEVEDO, Álvares de. Lira dos Vinte Anos, 1853.)

         Existem fantasmas na minha e na sua consciência. Tristes e felizes, que nunca deixarão de te assombrar, não importa o arrependimento, as mudanças, nem mesmo o tempo. Todo homem que lutou, amou, machucou ou simplesmente foi feliz de verdade por algum momento, terá de conviver para sempre com a presença das consequências dos erros, das vitórias, da falta, do conhecimento de algo que te fez bem, mas que você não mais o tem. Novos fantasmas ainda virão, a questão é: quanto mais a sua cabeça poderá aguentar?

sábado, 6 de março de 2010

A arte do engano



Você acha que está tudo bem
Mas nunca esteve.
Você acha que conseguiu
Mas as tentativas foram todas falhas.
Você acha o que faz correto
Mas está tudo errado.
Você tenta ser bom
Mas o bom é ruim.
Você acredita
Mas a fé não é recíproca.
Você ama
Mas não existe amor.
Você pensa que tudo mudou
Mas a mudança nunca aconteceu. 
Você acha que está feliz
Mas a felicidade nunca dura mais que um sorriso.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Black Sky

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-Qual a cor do céu em inglês?
 Perguntou a  professora de doce expressão ao mesmo tempo em que levantava seu braço direito com um lápis na mão, numa tentativa de envolver os pequenos alunos em sua aula.
-Blue! Blue! Blue! Blue! 
Exclamavam em voz alta, todas as crianças com os braços ao alto. Sorriu a jovem mestre, pelo acerto unânime da classe.
-Black.. 
Sussurrou o único aluno que não tinha se manifestado instantes antes. Todos, inclusive a professora que mudara de expressão, desviaram seu olhares de quem julga para o canto direito da sala, especificamente ao garotinho sério de óculos redondos que sentava ao lado da grande janela, com um olhar despreocupado aos outros que ali estavam, mas que atravessava com vigor aqueles vidros sujos para admirar o céu de nuvens que realmente era azul e nada de preto tinha. De repente é disparado  o escandaloso sinal sonoro que alertava o fim da aula, quebrando a situação que tinha sido criada.
      A resposta "Black" não estava errada, durante a noite o céu realmente se torna escuro.  A imagem de céu mais representativa para o “garotinho sério de óculos redondos” não era aquele do azul ensolarado e com nuvens que a maioria das pessoas tem, sejam elas crianças de sua idade ou adultos maduros. Ele já entendia que todos preferiam o “Blue”, pois o céu do dia é mais simples, fácil e de forma nenhuma parece misterioso ou estranho, é apenas uma bela paisagem de tons claros e agradáveis. O seu céu mais interessante e mais real era o preto, com lua, estrelas e até mesmo estrelas cadentes que ele sabia que existia, mas que ainda não tinha visto. Toda noite antes de dormir, pela janela aberta do seu quarto, sentia o mistério do céu preto, e nesse momento ele se tornava grande, pequena era a noite para todos os seus pensamentos, a cada astro uma pergunta, não era para menos, afinal era um choque entre uma criança e o temido universo, que ocorria diariamente naquele travesseiro. Aquele escuro o atraía e enchia sua cabeça de dúvidas, ainda assim o menino tinha uma certeza, que por trás do brilho de cada estrela havia uma resposta.
      Anos depois aquele garoto tinha realizado seu sonho duplo, se tornou astronauta e viajou de verdade pelo espaço. Quando estava lá em cima fez questão de tirar uma fotografia em especial. Após voltar, a primeira coisa que fez foi enviar uma carta a sua antiga professora de inglês. A professora, hoje velha, mas de boa memória, quando recebeu a carta em mãos não lembrou de maneira alguma do remetente, assim abriu o envelope e achou uma grande foto na qual se via o planeta Terra bem pequeno e azul, e ao fundo ocupando quase que toda a foto  estava o preto do espaço, no verso da foto tinha os dizeres: “Querida professora, como a senhora pode perceber nesta imagem, o céu só é azul ao redor da Terra, mas em todo o infinito do universo ele é preto”. Ela então se lembrou do garotinho que foi seu aluno há muitos anos atrás, que respondeu “black” e que sentava ao lado da janela. Mais que isso, ela entendeu que enquanto a maioria das pessoas só consegue enxergar até onde seus olhos alcançam, outras vêem além, além do azul do céu. Lágrimas escorreram pela face daquela senhora ao mesmo tempo em que suspirava, deixou cair a fotografia, o experiente coração já não mais batia. Nesse mesmo momento o garotinho, hoje um adulto excepcional, estava deitado na sua cama e olhando o céu, como fazia todas as noites desde muito pequeno e de repente espantou-se ao ver pela primeira vez uma estrela cadente, que irradiava o preto daquela noite com a luz de sua cauda de fogo, então, na mesma hora que apreciava aquele momento tão esperado, com fé fez um pedido, e como um milagre o brilho dos olhos da sua antiga professora tinha voltado, junto com o pulso do seu coração.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A crise de percepção

Por Eugenio Mussak

      Tive uma experiência única. Passei um fim de semana no Pantanal com Fritjof Capra, o físico austríaco que mora em Berkeley e que escreveu O Tao da Física e outros livros que estão entre os mais influentes dos últimos 30 anos.

  Falamos sobre ecologia, sustentabilidade, Obama e, claro, sobre o papel dos líderes. Subimos de barco um trecho do Rio Cuiabá e vimos jacarés tomando sol, tuiuiús e... garrafas pet boiando. Então começamos a falar sobre o fato de que as cenas degradantes — como a sujeira, a violência, a corrupção e a incompetência —, quando se banalizam, provocam uma espécie de cegueira coletiva, um déficit de percepção sobre elas mesmas. Para que não nos façam mal, fingimos que não vemos, pois a mente tem uma defesa para manter sua integridade.

"Olhar o futuro com clareza significa não usar os óculos da ilusão"

      Nietzsche, por exemplo, nunca negava a realidade, e acabou louco. Mas os líderes não podem fazer de conta que não há problemas e que o mundo é cor-de-rosa. Não precisam enlouquecer por causa disso, mas devem encará-los de frente e propor soluções. Só que não é o que acontece em muitas ocasiões. A verdadeira crise, disse-me Capra, é a crise de percepção. Muitos líderes não percebem, ou fazem de conta que não percebem, quais são os verdadeiros problemas de nosso tempo.

      A solução para a maioria deles é simples, mas requer uma mudança de foco. E isso é difícil porque significaria sair da zona de conforto, e a maioria das pessoas não tem essa disposição. A crise de percepção se manifesta pela dificuldade que a maioria das pessoas tem de “conectar os pontos”, ou seja, estabelecer correlação entre os problemas e suas causas, e também entre os diversos fatores que interferem nos resultados que desejamos.

      Estamos em uma crise da economia, sim, mas é bem possível que ela pudesse ter sido evitada se não fosse precedida pela crise de percepção que assola a humanidade. Olhar o futuro com os olhos da esperança significa não usar os óculos da ilusão, e sim as lunetas da razão.


Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.
Todos os direitos reservados.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sem ar



     O que fazer quando se sentir sufocado? Sem ar, mesmo que com uma máscara de oxigênio? O suor e a ausência de vontades viram seus melhores amigos, ‘amigos’ seria uma palavra um pouco incomum nesse contexto. Tudo em volta o faz mergulhar com toda sua força, que logo em seguida não existirá mais, em um estado de entorpecimento mental, mesmo assim sendo, o uso do pensamento continua operante ainda que paralelamente inoperante aos olhos dos conhecedores do normal.

      Para os que curtem cinema, essa situação ou quem sabe, essa forma de viver, pode se assemelhar ao “estado matrix”, que é aquele existente em outra dimensão, onde seus habitantes tornam-se participantes de outro plano. E para os que se drogam, não estou falando das “viagens” causadas por substâncias alucinógenas.

      O motor que o faz interagir com as coisas reais, físicas e agir como mais um entre tantos está com defeito, mas as engrenagens de sua mente continuam rodando. Você quer liberdade, mas ela parece ser tão vazia, tão ampla, ou você consegue me dar um exemplo de liberdade concreta em 10 segundos? Se você conseguiu, reavalie seus conceitos sobre este tema, e se não conseguiu é porque já entendeu que essa idéia só existe naquelas cenas de finais de histórias onde os personagens felizes correm por entre um interminável jardim natural em cima de uma montanha, cheio de flores coloridas e vivas que soltam suas pétalas e folhas no bailar do vento quando esses personagens passam cantarolando.

      O estímulo para a entrada de ar seria uma nova forma de viver, na qual você pudesse ser de verdade, jogar ao fogo aquele cardápio pessoal que carregamos na consciência e que contém os tipos superficiais que devemos ser, em cada ambiente e com cada pessoa, além dos estereótipos que usaremos para classificar tudo ao nosso redor no longo de nossas vidas. A minha raça, não sobreviveria sem oxigênio, pois não conseguem respirar de maneira saudável outra coisa, mesmo assim, não me espanta o fato de que aos poucos necessito cada vez menos desse gás. O problema é que ainda preciso respirar para sobreviver, então a solução seria achar outros gases, mas esses outros gases só terminarão com meu sufoco no momento que começarem a existir, e para existirem será preciso trazer a realidade tudo o que penso e tudo o que quero, mas penso muito ou penso nada, quero muito e começo tudo, mas acabo não terminando nada, culpa dos padrões, que são sem graça, nos retraem e fazem meu nível de vontade alternar entre 0 e 0,1 .

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Idealização da mulher ideal



      Nós homens já conhecemos muito bem o velho toque de amigo 'ela é difícil'. Mas o que poucos homens sabem é que se ela foi muito difícil, é por que você, dependendo da mulher, não é bonito, não tem um bom tipo físico, não tem dinheiro, ou por alguma outra superficialidade do mundo feminino particular. As mulheres deveriam ser simpáticas, inteligentes e engraçadas, mas a maioria delas só apresenta essas qualidades com as suas amigas ou com os homens por elas classificados "agradáveis" que possuem as características citadas anteriormente. No fundo, pelo menos da minha parte e da minoria interessante que não as tratam como figurinhas, o tipo ideal é aquele sincero. Queremos garotas que nunca fiquem bêbadas, pelo menos na sua frente ou de seus amigos, nem muito menos que fumem e que entendam de futebol mais que você. 

     Queremos moças bonitas, cuidadosas,  que se vistam bem, se valorizem e  que escolham garotos não pelo abdômen definido, por um par de olhos verdes ou azuis, nem por um couro cabeludo loiro. Ah, e como seria bom se elas não fossem paradonas e sem graça. Garotas façam diferente, surpreendam-nos! Como seria bom se naqueles momentos em que estamos estressados e afundados no sofá da sala tentando achar algo interessante na TV repentinamente a nossa garota arrancar o controle das nossas mãos, desligar o aparelho, pegar distância, sorrir como uma criança que vai aprontar, correr e pular em cima de nós. O que aconteceria depois? Quem sabe uma relação amorosa primeiramente me utilizei do termo transa mais o meu Word 2007 sugeriu essa expressão mais sutil. romântica ou selvagem, ou, simplesmente alguns sorrisos cheios de graça, um beijo e um honesto "eu te amo" seguido de outro.


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Criado em 21/06/09. Postado inicialmente em meu fotolog, onde foi bem recebido pelas mulheres.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Aumente o volume !
















Se você fosse uma musica, qual seria?

A maioria escolheria aquelas mais famosas, para levar uma vida de musica rica, cheia de luxos, bocas famosas e grandiosos palcos e públicos. Até ai tudo bem, mas até em uma sociedade onde todo mundo é musica, o cotidiano social humano se repete, você que seria uma musica famosa teria muito dinheiro mas ninguém aguentaria mais te ouvir, seria cantada sem emoção alguma, nem se quer seria ao vivo. Minha escolha seria ser uma musica com uma letra dessas que o tempo compõe, de uma musicalidade universal, cantada por uma índia de cabelo liso, comprido e escuro, de olhos verdes não muito claros, e de pele ao vento, toda vez em que o sol nascesse ou se pusesse sobre aquelas águas de um horizonte naturalmente lindo, onde os outros poucos nativos se encantassem ao me ouvir todas as duas vezes do dia durante toda sua vida.